Primeira Sessão de Terapia: O Que Esperar e Como Se Preparar

Você finalmente decidiu fazer terapia. Marcou a sessão, anotou o horário, e agora está nervoso. Normal. A primeira sessão de terapia é cercada de expectativas, dúvidas e, muitas vezes, um friozinho na barriga.
"O que eu falo?" "Ela vai me julgar?" "E se eu chorar?" "Preciso contar tudo logo de cara?"
Em mais de 20 anos recebendo pacientes pela primeira vez — primeiro no consultório, hoje também online —, já ouvi todas essas perguntas. E quero responder cada uma delas aqui, para que você chegue na sua sessão com mais tranquilidade e menos ansiedade.
O que acontece na primeira sessão
A primeira sessão não é um interrogatório. Não é uma prova. Não tem certo nem errado.
Na minha prática, a primeira sessão é um encontro. É o momento em que eu te conheço e você me conhece. Conversamos sobre o que te trouxe até ali — mas no seu ritmo, sem pressa.
Normalmente, começo perguntando algo simples: "O que te fez buscar terapia agora?" Não é preciso ter uma resposta elaborada. Pode ser "não estou dormindo bem", "briguei com meu marido de novo" ou simplesmente "não sei, só sei que não estou bem". Tudo isso é válido e suficiente para começarmos.
Ao longo dos 50 minutos, vou fazer perguntas para entender melhor o seu contexto: como é sua rotina, seus relacionamentos, seu trabalho, sua história. Mas não espere cobrir tudo — a primeira sessão é uma porta que se abre, não um livro que se lê inteiro.
Você não precisa contar tudo na primeira vez
Essa é a preocupação número um que ouço. E a resposta é simples: não, você não precisa.
Terapia é um processo. Tem coisas que você vai se sentir confortável para falar na primeira sessão. Outras vão levar semanas, meses. Algumas vão surgir de repente, quando você menos espera — no meio de uma frase sobre outro assunto.
O meu papel é criar um ambiente onde você se sinta seguro o suficiente para ser honesto. Isso não acontece com uma pergunta mágica — acontece com tempo, consistência e confiança mútua.
Se tiver algo que você quer falar mas não consegue, diga exatamente isso: "Tem algo que eu quero contar, mas ainda não consigo." Isso já me diz muito e me ajuda a te ajudar.
Pode chorar? Pode
Pode chorar, pode rir, pode ficar em silêncio. Pode até dizer que não sabe o que está sentindo — isso é mais comum do que você imagina.
Muitos dos meus pacientes choram na primeira sessão. Não porque eu fiz alguma pergunta devastadora, mas porque, às vezes, ter alguém que te ouve de verdade — sem julgar, sem interromper, sem tentar resolver — é emocionante por si só.
Se você chorar, eu não vou ficar sem graça. Faz parte do processo. É saudável. E muitas vezes, é o primeiro passo para soltar algo que estava preso há muito tempo.
O que eu, como terapeuta, estou observando
Enquanto conversamos, estou prestando atenção em várias coisas — mas nenhuma delas é um julgamento sobre você. Estou observando:
- Como você conta sua história — o que prioriza, o que evita, o que te emociona
- Seus padrões — situações que se repetem, reações recorrentes
- Seus recursos — o que você já faz que funciona, suas forças
- O que te trouxe agora — por que este momento e não outro
Não estou anotando mentalmente seus "defeitos". Estou construindo um mapa do que você vive para poder te ajudar a navegar melhor.
A sessão online é diferente da presencial?
Na essência, não. A conversa é a mesma, as técnicas são as mesmas, o vínculo se forma do mesmo jeito.
A diferença prática é que, no online, você está no seu espaço. E isso, para muitas pessoas, é uma vantagem — especialmente na primeira sessão, quando há mais nervosismo. Estar em casa, no seu canto, com seu chá ou seu gato no colo, pode tornar a experiência mais leve.
Se for online, peço só o básico: um lugar com privacidade (onde ninguém vai ouvir a conversa), internet razoável e um celular ou computador com câmera. Envio o link do Google Meet por WhatsApp antes da sessão.
O que perguntar na primeira sessão
A primeira sessão não é só para eu te conhecer — é para você me conhecer também. Alguns pacientes chegam com perguntas prontas, outros não. As duas abordagens são válidas.
Se quiser perguntar algo, estas são boas opções:
- "Qual é a sua abordagem?" — Trabalho com abordagem cognitivo-comportamental e humanista. Isso significa que foco tanto nos pensamentos e comportamentos quanto na relação terapêutica e no autoconhecimento.
- "Com que frequência preciso vir?" — Na maioria dos casos, recomendo sessões semanais no início. Conforme você melhora, podemos espaçar.
- "Em quanto tempo vou ver resultados?" — Depende da demanda, mas a maioria dos meus pacientes percebe mudanças entre 4 e 8 sessões.
- "Você tem experiência com o que eu estou sentindo?" — Pergunta legítima e importante. Você tem o direito de saber.
Como se preparar
Não existe preparação obrigatória. Você não precisa estudar, não precisa ensaiar o que vai dizer, não precisa ter um "problema claro" para apresentar.
Mas se quiser se preparar de alguma forma, estas dicas ajudam:
Pense no que te motivou. Não precisa ser um discurso — uma frase basta. "Estou com ansiedade." "Meu casamento está difícil." "Não me reconheço mais." Isso me dá um ponto de partida.
Reserve 10 minutos antes. Não entre na sessão correndo, saindo de uma reunião de trabalho. Se possível, sente, respire, se organize mentalmente. A sessão rende mais quando você chega presente.
Tire as notificações do celular. No online, especialmente. 50 minutos sem WhatsApp, e-mail ou Instagram. Esse tempo é seu.
Não se cobre. Não existe sessão "boa" ou "ruim". Sessões em que você fala muito e sessões em que você fica em silêncio são igualmente valiosas. O processo terapêutico não é linear — e a primeira sessão é só o começo.
E depois da primeira sessão?
Depois que a sessão termina, algumas coisas podem acontecer. Você pode sair aliviado, pensativo, emocionado, ou até confuso. Tudo isso é normal.
Eu costumo perguntar no final: "Como foi para você?" — e espero uma resposta honesta. Se algo te incomodou, me diga. Se sentiu que faltou algo, me diga. Feedback na terapia é bem-vindo e essencial.
Não existe obrigação de continuar após a primeira sessão. Se você sentir que não houve conexão, tudo bem. A aliança terapêutica é pessoal — nem toda psicóloga combina com todo paciente, e isso não é falha de ninguém.
Mas se algo ressoou, se você sentiu que ali tinha um espaço seguro, então continuamos. No seu ritmo.
O que meus pacientes dizem sobre a primeira sessão
Uma das coisas que mais ouço depois da primeira sessão é: "Nossa, não era nada do que eu imaginava."
A maioria espera algo mais frio, mais clínico, quase como uma consulta médica. E o que encontra é uma conversa humana, acolhedora, sem julgamento. Muitos se surpreendem com a profundidade do que conseguem falar já no primeiro encontro.
Uma paciente me disse uma vez: "Luciana, em 50 minutos com você, me senti mais ouvida do que em anos." Não é exagero — é o poder de um espaço seguro com escuta profissional.
O primeiro passo é o mais difícil — e você já está dando
Se você está lendo este texto, já está mais perto do que imagina. A decisão de buscar terapia é um ato de coragem, não de fraqueza.
A minha primeira sessão avaliativa custa R$ 100 — um valor especial para que a barreira financeira não seja o que impede você de começar. São 50 minutos, por videochamada, sem compromisso de continuar.
Atendo de segunda a sexta, das 9h às 17h, e sábados das 9h às 13h.
Se quiser agendar, é só me mandar uma mensagem pelo WhatsApp. Eu respondo pessoalmente — sem robô, sem formulário. Só eu, do outro lado, pronta para te ouvir.
Precisa de ajuda profissional?
Sou Luciana Perfetto, psicóloga clínica em São Paulo. Atendo presencial na Vila Leopoldina e online para todo o Brasil.
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